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Sumaré, 10 de Setembro de 2010

Sumaré, 05 de Dezembro de 2009 - 21:45 hs

Quase feliz

Quase feliz

Para mim, parece que os acontecimentos se dão nos momentos aproximados.

Este pensamento ocorre-me por observar as coincidências que a vida apresenta-me. Estou sempre no quase, nunca no exato.

Refiro-me agora, por somente te encontrar naquele domingo chuvoso, quando andavas impaciente como eu, pela área de lazer daquele shopping.

Quase que naquele dia decidi ir ao teatro e não ao cinema. Quase que fui impedido ir naquela sessão e não na seguinte, não estando ali no exato momento para encontrar-te. Quase que não a conheceria naquele dia. Tudo foi um quase.

Ao falar-te, disseste-me que aguardavas um colega com quem havia marcado para juntos assistirem ao filme do momento. Era quase seu namorado, fizestes questão em ressaltar.

Antes que seu companheiro de cinema chegasse, ainda deu tempo para tomarmos um café. Quase que não deu.

Alguns dias depois, precisei ir a uma, entre as tantas agências bancárias da cidade, quase que fui em outra, mas acabei indo naquela.

Surpreso, encontrei-a lá. Você estava ali durante o dia todo, todos os dias, era ali que trabalhavas de segunda a sexta-feira. Até então, eu não sabia disso.

Enquanto aguardava ser atendido, observava como o trabalho absorvia-te plenamente a atenção. Meticulosa e concentrada analisavas documentos, efetuavas cálculos e contavas dinheiro.

Destacava-se das demais funcionárias do estabelecimento, que gesticulavam em exageros, chamando para elas as atenções do público.

Discreta e atenta ao efetuar seu trabalho, eras a mais atraente entre todas as outras suas colegas.

Ao chegar a minha vez de ser atendido, quase ocorreu de ser por outra pessoa que não você. Mas aconteceu ser você quem me atenderia.

Pareceu-me surpresa no momento que me viste. Quase acreditei que estavas sendo sincera. Trocamos uma rápida saudação e poucas palavras ocasionais e finalmente um breve até logo.

Tive a audácia de esperá-la por algumas horas até saíres do trabalho, e telefonar ao teu celular dizendo que estava a tua espera bem próximo dali para tomarmos um café, ou um suco, ou um chope. Você quase não aceitou. Foi muito bom aceitares.

Era uma tarde de sexta-feira, demonstravas cansaço acumulado pela semana de trabalho, que estava terminando. No cantinho da cervejaria em que fomos, tivemos a oportunidade de falarmos mais e melhor de cada um de nós. Depois de algum tempo conversando, ficamos sabendo que ambos buscávamos a mesma coisa: alguém para dividirmos nossas vidas.

Tanto um como o outro, era consciente que a vida solitária faz a melancolia ir-se apossando aos poucos de nossas almas, embrutecendo-a até não se ver mais encanto em nada.

Procurávamos alguém para dividirmos nossas vidas. Pretendíamos dividir o tempo, o espaço, o calor de um dia de verão, o frio de uma noite de inverno. Queríamos dividir uma garrafa de água gelada, ou uma de vinho, a brisa que soprava refrescando o ar, ou o calor da lareira que principiaria o aquecimento maior de nossos corpos.

Despedimo-nos melhores do que nos cumprimentamos na chegada. Passou-se o sábado e novamente estávamos no domingo.

Agora, este dia era somente nosso, fomos ao mesmo local em que nos conhecemos alguns dias passados, assistimos ao filme agora em evidência. Estávamos namorando.

Passado algum tempo, estávamos casados, e, sobretudo felizes.

Passado mais algum tempo, descasados e tristonhos. Quase infelizes.

João Ligório
Entre em contato com o autor: autor@e-estudar.com.br


João Ligório João Ligório
Editor do site e-estudar.com.br, escreve sobre cotidiano e comportamento
Contato: e-estudar@e-estudar.com.br
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